O Que o Club 59 Poll Pode Estar Revelando?
- The B Collector
- 2 de jun.
- 4 min de leitura
Quem acompanha o Club 59 já conhece o ritual: todo mês a Mattel aparece com uma nova enquete.

Às vezes querem saber qual celebridade gostaríamos de ver transformada em boneca. Em outras, qual estilo de fashions tem mais apelo. Mas, de vez em quando, surge uma pesquisa que acaba sendo mais interessante pelo que revela do que pela pergunta em si. A deste mês foi uma delas.
O motivo é simples: nenhuma das opções apresentadas é uma boneca. Em vez disso, a Mattel colocou quatro propostas na mesa: uma reprodução da Dreamhouse de 1962, um cômodo inspirado nela, um closet para fashions e uma linha de móveis vendidos separadamente.
A Dreamhouse original dispensa apresentações. Ela já ganhou duas reproduções ao longo dos anos e continua sendo um dos itens mais emblemáticos da história da Barbie.
Mas a Dreamhouse sempre vem acompanhada da mesma discussão. Por mais icônica que seja, continua sendo uma estrutura predominantemente feita de papelão. A última reprodução lançada pela Mattel chegou ao mercado por cerca de US$ 200, permaneceu disponível por bastante tempo e acabou aparecendo em promoções. Isso não significa que os colecionadores não gostem da Dreamhouse. Pelo contrário. Talvez apenas exista um limite para quanto o público está disposto a investir em uma peça cujo principal material continua sendo exatamente o mesmo de 1962.
O closet foi provavelmente a proposta que me pareceu menos nova. Na prática, estamos olhando para uma releitura direta do The Barbie Look Wardrobe, lançado para a linha The Barbie Look.

Os móveis seguem um caminho parecido. Quem coleciona há algum tempo provavelmente se lembra dos ambientes da Lounge Kitties Collection, dos móveis assinados por Jonathan Adler ou da penteadeira da @BarbieStyle. São peças que costumam desaparecer rapidamente do mercado e depois passam anos sendo procuradas por quem chegou tarde demais.
E não é difícil entender por quê.
Uma boneca sozinha já pode ser bonita. Mas coloque essa mesma boneca sentada em um sofá, diante de uma penteadeira ou relaxando em uma banheira e, de repente, ela parece pertencer a um mundo.
Talvez por isso os móveis tenham sido a proposta que mais me interessou.
Não porque sejam a opção mais nostálgica, mas porque parecem a mais fácil de integrar a uma coleção real. Uma Dreamhouse inteira exige espaço. Muito espaço. Já um sofá ou uma penteadeira cabem praticamente em qualquer exposição e permitem criar cenas sem reorganizar uma estante inteira.
Foi nesse momento que comecei a olhar para a pesquisa de outra forma.
Porque a verdade é que a Mattel vem tentando resolver esse mesmo problema há muito tempo.
A Silkstone Display Case de 2002 já oferecia ambientes intercambiáveis para as Fashion Model Collection. Alguns anos depois, a linha Fashion Fever experimentou com o conceito Build-a-Room. O próprio The Barbie Look Wardrobe surgiu da mesma necessidade. Em momentos diferentes, a empresa continuou voltando à mesma pergunta.
O que fazer depois que o colecionador compra a boneca?
Talvez seja isso que eu tenha achado mais interessante neste Club 59 Poll.
À primeira vista ele parece falar sobre casas, closets e móveis.
Mas olhando para a história da linha colecionável, a discussão parece ser outra.
Muitos colecionadores já possuem as bonecas que desejavam. O desafio nem sempre é encontrar a próxima peça para a coleção. Muitas vezes o desafio é encontrar uma forma interessante de exibi-la.
E talvez seja exatamente isso que a Mattel esteja tentando medir.
Não quais bonecas queremos comprar.
Mas como queremos viver com elas.







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